Quinta-feira, 17 de Junho de 2010

Um texto de Avaliação das Jornadas (publicado no Jornal "Terras de Vagos" de Junho

Tal como anunciado, realizaram-se as Primeiras Jornadas de Educação da Diocese de Aveiro, durante os passados dias 21 e 22 de Maio, no Colégio de Calvão. Foram muitos os participantes, cerca de trezentos, não apenas da nossa Diocese e das suas Escolas Católicas, mas de vários pontos do país – Coimbra, Guarda, Tortosendo, Torres Vedras, Lisboa… Estiveram também connosco instituições católicas ligadas à Educação, como o DEC-SNEC (Departamento da Escola Católica – Secretariado Nacional da Educação Cristã), através da sua responsável, Maria Helena Calado Pereira, o Seminário de Aveiro, através do seu Reitor, Pe. Virgílio Maia, e o CUFC (Centro Universitário Fé e Cultura), na pessoa do seu Director e Presidente da Comissão Diocesana da Cultura, Pe Georgino Rocha. Todos eles muito nos honraram com a sua presença.
Foi absolutamente gratificante e até enternecedor, para todos nós, pertencentes à grande família do Colégio, constatar que, afinal, não precisámos de recorrer a um daqueles consagrados centros de Congressos, porque tivemos um, belíssimo, completo, de grande qualidade, aqui mesmo, num simples pavilhão “velho” que sofreu a mais rápida e extraordinária transformação de que temos memória – qual Gata Borralheira que se transforma em Princesa, com um sábio toque da varinha mágica dos nossos “verdadeiros artistas”, prata cá da casa. Igualmente bastante agradável, toda a logística e funcionamento geral, desde os almoços e pequenos lanches, até ao acolhimento do secretariado, à exposição de livros que acompanhou as Jornadas, ao som e à imagem que tão bem permitiram veicular as mensagens, à Música que nos trouxe uma moldura de alegria.
Mas a esta bela plasticidade exterior juntou-se uma profunda densidade interior que superou as nossas mais elevadas expectativas. É que, de nada valeriam à Gata Borralheira ou Princesa, as belas roupagens, se não tivesse carácter, bondade, discrição, distinção natural. Assim seria com as nossas Jornadas – por mais bonito que estivesse o nosso espaço, por melhor que tudo funcionasse, de nada valeria, se ali não pudéssemos aprender (mais e melhor) a crescer em justiça e em liberdade, fazendo despertar em nós uma humanidade sempre mais “nova”, para podermos, então, comunicá-la.
Impossível relatar em tão breve espaço, os grandes momentos e a enorme riqueza humana, cultural e educativa destas Jornadas. Pretendemos que o blogue criado para divulgação e debate das Jornadas sirva esta função de aprofundamento e reflexão, à medida que o formos acrescentando. (Em www.jornadasdeeducacao.blogspot.com)
Contudo, não queremos deixar de registar aqui alguns flashes breves:
- a carta enviada pelo Núncio Apostólico em Portugal, D. Rino Passigato, e lida pelo nosso Director, Padre Querubim, com a preciosa bênção apostólica de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, para os trabalhos das Jornadas;
- a presença gratificante do Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Professor Alexandre Ventura, na sua especial qualidade de amigo do Colégio e do Padre João Mónica;
- nem faltou uma voz europeia, clara, forte e cristã - a palavra de Etienne Verhack, Secretário Geral do Comité Europeu para o Ensino Católico;
- as sete memoráveis conferências que os nossos ilustríssimos oradores nos proporcionaram e os debates interessantes e vivos que motivaram: D. António Marcelino explicitou os parâmetros evangélicos que orientam a nossa actividade, com aquela radicalidade e clara inteligência a que nos habituou; Juan Ambrosio redefiniu a natureza e o perfil da pessoa a educar, na sua integridade e globalidade, duma forma tão espirituosa quanto profunda; José Fernandes, sdb, aprofundou as características do acto educativo mais ajustadas àquele perfil humano, não apenas de uma forma teórica, mas com a autoridade de quem pratica como pensa; o Pe. Querubim Silva orientou-nos nas posições e directrizes da Igreja mais especificamente direccionadas para as escolas e a educação, com a sua vasta experiência e saber; guiados por Mário Pinto, eminente Professor e notabilíssimo defensor da Liberdade, descemos à realidade do nosso sistema educativo, identificando com profunda clareza os obstáculos que dificultam e impedem a concretização de projectos livres de escolas católicas; Jorge Adelino Costa, um amigo do Colégio, desde há muito, e destacada autoridade científica, clarificou os parâmetros da construção de um projecto educativo humanista e cristão, através de uma voz, escolhida por ele, de entrevistas realizadas (anos atrás) com vista à investigação científica daqueles parâmetros (foi uma comovente surpresa a revelação da identidade daquela voz); a concluir este conjunto de conferências, foi a vez de Jorge Cotovio nos guiar, vivamente e com toda a firmeza e audácia que lhe conhecemos, na análise da Escola Católica actual à luz da sua história de intervenção na sociedade e no mundo, tendo em conta esta base histórica como alicerce sólido de um futuro desafiante;
- a tocante e refrescante Oficina de Oração, coordenada por Teresa Power;
- o documento com a história dos 25 anos do Colégio e excertos do I Congresso Nacional da Escola Católica, com pessoas e momentos de tão grata memória;
- os painéis, ocorridos em simultâneo (que estarão igualmente disponíveis no blogue das Jornadas), que revelam o pulsar da actividade e criatividade nas escolas católicas da nossa Diocese;
- a presença invisível (e visível) do Padre João Mónica que, sem dúvida, caminhou e caminha connosco nestes dias;
- as palavras do Senhor D. António Francisco, sempre tão positivas, luminosas e encorajadoras, despertando o que de melhor há em nós.
Por tudo isto, as Jornadas foram um acontecimento grande e marcante, para a cultura e para a educação no nosso país – provavelmente (como dizia o nosso Luís Oliveira), um momento já antevisto, há tantos anos, quando o Padre Baptista, em 1934, deu início ao levantamento de um modesto Colégio no meio das areias áridas; e, seguramente, um momento já consistentemente sonhado pelo Padre João Mónica, à medida que foi acrescentando, ao longo dos últimos 25 anos, sucessivas pedras desta grande construção que o Colégio é hoje nesta nossa terra – não apenas na dimensão material, mas, ainda mais, nas suas dimensões cultural, educativa e humana.
Para que as Jornadas não sejam apenas um momento, mas frutifiquem cada vez mais nos nossos trabalhos educativos, convidamos todos a aceder ao espaço de discussão que constitui o nosso blogue, para ler, reflectir, comentar e participar activamente. Para crescermos juntos a caminho de uma “nova cidade”, da Nova Jerusalém, com gente nova e renovada.
Teresa Gonçalves

0 comentários:

Enviar um comentário